O
ex-ministro Ciro Gomes (PSB) usou do tom ácido que lhe é peculiar para voltar a
bater no seu partido, o PSB, e no governo federal, em palestra nesta
terça-feira (26), durante café da manhã para empresários, em Salvador. A
palestra deveria tratar das "Perspectivas para a economia
brasileira", mas ele acabou falando também sobre política. Ciro se disse
defensor da reeleição da presidente Dilma Rousseff, em 2014, mas observou que
se o seu partido quiser lançar candidatura própria deverá deixar o governo federal
desde já e mostrar à sociedade brasileira as falhas da atual administração.
"Como
alguém quer ser presidente da República sem percorrer o País, expondo suas ideias,
mostrando os erros e o que pode ser feito. Se o cara é candidato contra a
reeleição da Dilma, então tem que sair do governo. Sou um velho que se mantém
preso às suas crenças na lealdade, coerência e decência", disse, fazendo
referências a Eduardo Campos, potencial candidato à sucessão presidencial pelo
PSB.
Ciro
Gomes criticou também o que definiu como "banquete fisiológico,
clientelista, quando não corrupto", que existiria entre os partidos mais
próximos ao governo, e salientou que as demais legendas que compõem a base
aceitam comer "migalhas embaixo da mesa, sem ter qualquer influência numa
agenda progressista para o País".
O
ex-ministro explicou que defende a permanência de Dilma no comando nacional
porque, segundo ele, em comparação a outras pré-candidaturas já postas "a
do PT é muito melhor, apesar dos seus graves defeitos", embora tenha
ressaltado em seguida que a sua opinião não significa um desmerecimento das
eventuais candidaturas de Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Marina
Silva (sem partido). Salientou que esses eventuais candidatos até agora não
apresentaram ideias ou projetos para o desenvolvimento do País. No último
domingo (24), Ciro já havia dito em Fortaleza que Campos seria desprovido de
visão e de projeto.
Ciro
também fez críticas pesadas à política econômica comandada pelo ministro Guido
Mantega. Disse que o setor econômico nacional "vive na melhor das
hipóteses um período medíocre" e contestou o anúncio do Banco Central que
prevê crescimento econômico de 3% para este ano. "Não vislumbro a
possibilidade de a gente crescer acima de 2%", estimou, e concluiu:
"crescimento não é conseqüência de boa vontade, nem de conversa fiada em
Brasília".
A
palestra aconteceu na Casa do Comércio, durante o lançamento do programa
"Liquida Salvador" pelo Clube dos Diretores Lojistas da capital
baiana. A liquidação terá início dia 28 de fevereiro e segue até o dia 10 de
março em mais de sete mil pontos de venda em Salvador e municípios da Região
Metropolitana.







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